A proteção de dados pessoais deixou de ser apenas um tema jurídico e se tornou um fator decisivo para a sustentabilidade das empresas. O ano de 2025 marcou um ponto de virada importante nesse cenário. Foi o período em que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) deixou de ser vista como novidade e passou a ser, definitivamente, uma exigência prática, cobrada e fiscalizada.
Agora, já em janeiro de 2026, o mercado entra em um novo ciclo. O momento não é mais de adaptação inicial, mas de maturidade, ajustes finos e visão estratégica. As empresas que aprenderam com os erros e acertos de 2025 começam o ano mais preparadas. As que ignoraram os sinais entram em 2026 mais expostas a riscos jurídicos, operacionais e reputacionais.
O Que 2025 Representou para a Proteção de Dados no Brasil
Ao longo de 2025, ficou claro que a LGPD não é uma legislação estática. A atuação mais estruturada da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, somada ao aumento de incidentes envolvendo vazamento de informações, fez com que o tema ganhasse espaço definitivo na agenda dos gestores.
Foi também em 2025 que muitas empresas perceberam que não basta ter um termo de consentimento ou uma política genérica publicada no site. A proteção de dados passou a ser avaliada na prática, no dia a dia dos processos, especialmente em áreas sensíveis como Recursos Humanos, Departamento Pessoal e Tecnologia da Informação.
Outro ponto importante foi o crescimento acelerado do uso de dados sensíveis. Sistemas de ponto digital, reconhecimento facial, biometria, aplicativos com geolocalização e armazenamento em nuvem se tornaram ainda mais comuns. Com isso, aumentou também a responsabilidade das empresas sobre como esses dados são coletados, armazenados e protegidos.
Os Principais Aprendizados de 2025
O primeiro grande aprendizado foi entender que dados de colaboradores são tão sensíveis quanto dados de clientes. Informações como horários de trabalho, registros de jornada, dados biométricos e históricos contratuais passaram a ser observados com mais rigor, inclusive em fiscalizações e ações trabalhistas.
Outro ponto que ficou evidente foi o risco do improviso. Empresas que ainda utilizam planilhas, controles manuais ou sistemas antigos perceberam, muitas vezes da forma mais difícil, que essas soluções não oferecem segurança suficiente. Falhas simples, como acessos sem controle ou ausência de histórico de alterações, se tornaram portas abertas para problemas maiores.
Também ficou claro que a LGPD não é responsabilidade exclusiva do jurídico ou da TI. O RH assumiu um papel central em 2025, pois é a área que mais lida com dados pessoais diariamente. Onde faltou treinamento e orientação, surgiram erros operacionais, retrabalho e insegurança interna.
2026 Começa com um Novo Desafio: Evoluir, Não Apenas Cumprir
Se 2025 foi o ano da consolidação, 2026 começa como o ano da evolução. A pergunta que as empresas precisam se fazer agora não é mais “estamos cumprindo a LGPD?”, mas sim “nossos processos estão preparados para o que vem pela frente?”.
O foco em 2026 passa a ser preventivo e estratégico. Empresas mais maduras já estão revisando políticas internas, ajustando contratos com fornecedores de tecnologia e reavaliando como os dados são utilizados ao longo de todo o ciclo do colaborador, desde a admissão até o desligamento.
Outro movimento claro para este ano é a integração entre proteção de dados, compliance trabalhista e tecnologia. Sistemas de gestão de ponto e controle de acesso deixam de ser apenas operacionais e passam a ser ferramentas essenciais de governança e segurança jurídica.
O Papel da Gestão de Ponto no Novo Cenário de Proteção de Dados
Em 2026, a gestão de ponto assume uma função ainda mais estratégica. Não se trata apenas de registrar horários, mas de garantir que essas informações estejam protegidas, íntegras e acessíveis apenas a quem realmente precisa delas.
Sistemas modernos permitem que a empresa tenha controle total sobre acessos, histórico de alterações, armazenamento seguro e rastreabilidade dos dados. Isso faz diferença tanto em fiscalizações quanto em eventuais disputas trabalhistas, onde a qualidade da informação pode definir o rumo de um processo.
Além disso, a transparência com o colaborador se torna um diferencial importante. Quando o funcionário consegue acessar seus próprios registros, entender como seus dados são utilizados e perceber que existe cuidado real com a informação, a relação de confiança com a empresa se fortalece.
Quais as Penalidades em Caso de Descumprimento da LGPD
As sanções previstas na LGPD incluem:
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Advertências
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Multas de até 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração
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Bloqueio ou exclusão de dados
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Danos à imagem da empresa
Em 2025, o impacto reputacional pode ser tão grave quanto o financeiro.
O Que as Empresas Precisam Priorizar em 2026
O início do ano é o momento ideal para ajustes estruturais. Em 2026, algumas prioridades se tornam claras. A primeira é revisar processos internos, identificando quais dados são coletados, onde ficam armazenados e por quanto tempo permanecem ativos.
A segunda é investir em tecnologia confiável. Sistemas de ponto, controle de acesso e gestão de pessoas precisam estar alinhados às exigências da LGPD, oferecendo segurança real e não apenas promessas comerciais.
Por fim, capacitar pessoas continua sendo essencial. Nenhuma tecnologia substitui o conhecimento e a consciência dos profissionais que lidam com dados diariamente. Treinar RH, gestores e lideranças é uma das formas mais eficazes de evitar problemas ao longo do ano.
Olhar para Frente é a Melhor Estratégia
O ano de 2025 deixou lições importantes para as empresas brasileiras. Ignorar a proteção de dados já não é uma opção, e tratar o tema de forma superficial pode custar caro. Em 2026, o cenário favorece quem age de forma preventiva, organizada e estratégica.
Proteger dados é proteger pessoas, processos e a reputação do negócio. Empresas que entendem isso começam o ano mais seguras, mais confiáveis e mais preparadas para crescer em um mercado cada vez mais digital e regulado.




