A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo no Brasil. Enquanto empresas de diferentes setores começam a se preparar para as mudanças na legislação trabalhista, algumas organizações decidiram sair na frente e experimentar modelos de jornada com mais dias de descanso.
É o caso de um hotel localizado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, que adotou a escala 5×2 em janeiro de 2026, garantindo dois dias de folga por semana aos colaboradores.
A experiência ganhou destaque em uma reportagem publicada pelo g1 em 19 de outubro e chama a atenção por um motivo importante: mesmo com a necessidade de contratar profissionais e reorganizar os turnos, o estabelecimento relata benefícios relacionados à satisfação dos funcionários, à retenção de talentos e ao ambiente de trabalho.
O caso reforça uma questão que deve ganhar cada vez mais espaço nas discussões empresariais: será que trabalhar menos dias pode significar trabalhar melhor?
Mais do que uma mudança na quantidade de folgas, a transição da escala 6×1 para a 5×2 representa uma transformação na maneira como as empresas organizam suas equipes, distribuem atividades e avaliam resultados.
Hotel em Ribeirão Preto antecipa escala 5×2 e relata resultados positivos
Em janeiro de 2026, um hotel da zona sul de Ribeirão Preto decidiu implementar a escala 5×2 em todos os departamentos, antecipando uma mudança que posteriormente seria incorporada à Constituição Federal.
A decisão exigiu planejamento operacional, revisão das escalas e ampliação do quadro de funcionários para garantir a continuidade dos serviços.
Esse último ponto merece atenção, especialmente porque a hotelaria funciona durante toda a semana, incluindo sábados, domingos e feriados.
Diferentemente de um escritório que pode concentrar suas atividades de segunda a sexta-feira, hotéis precisam manter equipes disponíveis para atendimento, limpeza, recepção e diversas outras operações.
Mesmo diante dessas particularidades, a empresa relatou que conseguiu implementar o novo modelo sem perda de produtividade.
Segundo a reportagem do g1, a gestão do estabelecimento também percebeu melhorias na retenção de profissionais e no clima organizacional. A experiência sugere que a reorganização da jornada pode gerar benefícios que vão além do descanso individual.
Para os trabalhadores, a mudança também foi significativa. Uma das colaboradoras entrevistadas destacou que passou a ter mais tempo para descansar, cuidar de questões pessoais e conviver com a família.
Esse é um aspecto relevante porque, na escala 6×1, o único dia de folga frequentemente precisa ser dividido entre descanso, compromissos domésticos e atividades pessoais.
Com dois dias livres, os trabalhadores podem encontrar melhores condições para equilibrar essas necessidades.
Fonte: Reportagem do g1 sobre o hotel em Ribeirão Preto.
O fim da escala 6×1 já foi aprovado? Entenda o que mudou em outubro de 2026
O debate sobre a redução da jornada de trabalho deixou de ser apenas uma proposta legislativa.
Em 16 de outubro de 2026, foi promulgada a Emenda Constitucional nº 141, originada da PEC 221/2019, estabelecendo novas regras para a duração do trabalho e os períodos de descanso.
A mudança prevê uma transição gradual, permitindo que empresas e trabalhadores se adaptem à nova realidade.
Confira o cronograma previsto:
| Etapa | Mudança |
|---|---|
| Até o início da transição | Regra geral de até 44 horas semanais |
| A partir de 15/12/2026 | Dois dias de descanso semanal e limite de 42 horas |
| Após 14 meses da promulgação | Limite de 40 horas semanais |
| Remuneração | Preservação dos salários durante a redução |
A nova regulamentação estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Entretanto, isso não significa que todas as empresas precisarão interromper suas atividades aos finais de semana.
A legislação contempla a possibilidade de regimes diferenciados e compensações mediante negociação coletiva, respeitando os requisitos estabelecidos pela emenda.
Portanto, setores como comércio, hotelaria, saúde, segurança e serviços essenciais precisarão avaliar cuidadosamente a organização de suas jornadas.
Outro ponto importante é que a redução da carga horária não autoriza uma diminuição proporcional dos salários.
Por que a escala 5×2 pode ser vantajosa para as empresas?
Quando se fala em reduzir a jornada de trabalho, uma das primeiras preocupações dos empresários costuma estar relacionada ao aumento dos custos operacionais.
Afinal, com menos dias trabalhados por colaborador, algumas organizações podem precisar contratar profissionais adicionais, reorganizar turnos ou investir em novos processos.
Entretanto, avaliar a mudança exclusivamente pelo custo da folha de pagamento pode deixar de lado fatores importantes para a sustentabilidade do negócio.
1. Maior satisfação e qualidade de vida dos colaboradores
O descanso adequado é essencial para a recuperação física e mental dos profissionais.
Em atividades que exigem esforço físico, concentração constante ou atendimento ao público, jornadas prolongadas podem contribuir para o desgaste e a sensação de exaustão.
Ao ampliar o tempo disponível para descanso e compromissos pessoais, a escala 5×2 pode favorecer uma relação mais equilibrada entre vida profissional e pessoal.
No caso do hotel de Ribeirão Preto, a satisfação dos trabalhadores foi um dos benefícios destacados pela gestão.
Embora essa experiência não possa ser automaticamente generalizada para todas as empresas, ela demonstra que o bem-estar pode ser considerado parte da estratégia de gestão de pessoas.
2. Redução da rotatividade e maior retenção de talentos
A rotatividade de funcionários, também conhecida como turnover, representa um desafio para empresas de diferentes segmentos.
Cada desligamento pode gerar custos com recrutamento, seleção, integração, treinamentos e adaptação de novos profissionais.
Além dos custos financeiros, a saída frequente de colaboradores pode comprometer a continuidade dos processos e sobrecarregar as equipes.
Nesse cenário, oferecer uma jornada com dois dias de descanso pode se tornar um diferencial competitivo na atração e retenção de talentos.
A experiência relatada pelo hotel indica que a reorganização da escala esteve acompanhada de melhorias na retenção de funcionários.
Para o RH, esse resultado merece atenção porque demonstra a importância de avaliar a jornada como parte da proposta de valor oferecida aos colaboradores.
3. Possibilidade de manter a produtividade com melhor organização
Um dos principais receios relacionados ao fim da escala 6×1 é a possibilidade de queda na produtividade.
No entanto, o número de dias trabalhados não é o único fator que determina o desempenho de uma equipe.
Organização das atividades, qualificação profissional, dimensionamento de pessoal e eficiência dos processos também influenciam os resultados.
Uma empresa pode ter profissionais trabalhando durante seis dias e, ainda assim, enfrentar problemas de retrabalho, baixa produtividade e falhas operacionais.
Por outro lado, equipes bem distribuídas, com responsabilidades definidas e períodos adequados de descanso, podem apresentar um desempenho mais consistente.
O hotel de Ribeirão Preto relatou não ter registrado perda de produtividade após a mudança, apesar da necessidade de ampliar sua equipe.
Isso não significa que a escala 5×2 garantirá o mesmo resultado em qualquer organização. Significa que a produtividade precisa ser analisada em conjunto com a qualidade da gestão e a estrutura operacional.
4. Fortalecimento da imagem empregadora
A capacidade de atrair bons profissionais está diretamente relacionada à percepção que o mercado possui sobre determinada empresa.
Salários, benefícios, oportunidades de crescimento, cultura organizacional e condições de trabalho influenciam essa percepção.
Nesse contexto, políticas de jornada que valorizam o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal podem contribuir para fortalecer a marca empregadora.
Para empresas que enfrentam dificuldades na contratação de profissionais, a organização das escalas pode se tornar um elemento relevante na apresentação das vagas.
Entretanto, é importante que esse benefício esteja acompanhado de práticas efetivas de gestão, e não apenas de um discurso institucional.
Quais são os desafios para empresas que precisam abandonar a escala 6×1?
Apesar das oportunidades, a transição também exige atenção a questões financeiras, operacionais e trabalhistas.
Um dos maiores desafios está na necessidade de manter a cobertura das atividades sem ultrapassar os limites legais de jornada.
Imagine, por exemplo, um estabelecimento que funciona sete dias por semana e depende de uma equipe fixa para garantir o atendimento.
Com a redução dos dias trabalhados por funcionário, será necessário reorganizar a distribuição dos profissionais ao longo da semana.
Dependendo da demanda, essa reorganização pode exigir novas contratações, alterações nos turnos ou redistribuição de atividades.
Outro desafio envolve a gestão das folgas.
Em operações contínuas, não basta garantir que cada colaborador tenha dois dias de descanso. É necessário assegurar que a empresa continue funcionando adequadamente durante esses períodos.
Por isso, a implementação da escala 5×2 exige uma análise criteriosa de fatores como volume de atendimento, horários de maior movimento, disponibilidade de profissionais, custos de pessoal e regras das convenções coletivas.
A experiência do hotel demonstra que a antecipação pode ser viável, mas também evidencia que uma mudança dessa dimensão precisa ser acompanhada de planejamento.
Como o RH deve se preparar para a transição da escala 6×1 para a 5×2?
A mudança na legislação coloca os departamentos de Recursos Humanos diante de uma responsabilidade importante: adaptar a jornada dos colaboradores sem comprometer a operação ou gerar inconsistências trabalhistas.
Para isso, o primeiro passo é compreender como as equipes trabalham atualmente.
Empresas que utilizam diferentes escalas, turnos noturnos ou jornadas de revezamento precisam avaliar cada situação individualmente.
Algumas medidas podem facilitar essa transição:
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Mapear as jornadas atuais: identificar quais colaboradores trabalham na escala 6×1, quantas horas cumprem semanalmente e quais setores serão mais impactados.
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Analisar a necessidade de contratações: verificar se a estrutura atual comporta a redução da jornada sem comprometer a operação.
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Revisar acordos e convenções coletivas: observar as regras específicas aplicáveis a cada categoria profissional.
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Planejar a distribuição das folgas: organizar turnos que garantam os períodos de descanso e a continuidade dos serviços.
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Monitorar horas extras e banco de horas: evitar que a redução da jornada resulte em sobrecarga ou compensações inadequadas.
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Acompanhar indicadores de desempenho: avaliar absenteísmo, rotatividade, custos operacionais e produtividade antes e depois da implementação.
Mais do que cumprir uma nova exigência, esse planejamento permite que o RH identifique oportunidades de melhorar a organização das equipes.
O controle de ponto será ainda mais importante com a nova jornada de trabalho
A transição para a escala 5×2 também aumenta a importância de uma gestão de jornada eficiente.
Com novos limites semanais, reorganização de turnos e alterações nos períodos de descanso, empresas precisarão acompanhar cuidadosamente as horas efetivamente trabalhadas.
Isso porque a simples alteração de uma escala no planejamento não garante que ela esteja sendo cumprida na prática.
Um colaborador pode ter uma jornada programada de cinco dias, mas realizar horas extras, trabalhar durante uma folga ou apresentar inconsistências nos registros.
Sem um acompanhamento adequado, essas situações podem gerar divergências na folha de pagamento e aumentar os riscos trabalhistas.
É nesse cenário que a tecnologia se torna uma importante aliada.
Secullum RH: tecnologia para acompanhar diferentes jornadas de trabalho
O Secullum RH, disponibilizado pela Ponto Tecnologia, oferece recursos que ajudam empresas a organizar e acompanhar a jornada dos colaboradores.
Com uma gestão digital, o RH consegue obter maior visibilidade sobre os registros realizados e identificar situações que exigem atenção.
Entre os recursos relevantes para esse processo estão:
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Gestão de horários: permite cadastrar e organizar diferentes jornadas de trabalho.
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Controle de horas extras: facilita o acompanhamento das horas realizadas além da jornada prevista.
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Banco de horas: auxilia no acompanhamento de saldos e compensações conforme as regras configuradas.
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Relatórios de ponto: oferecem informações para conferência das jornadas e identificação de inconsistências.
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Dashboards gerenciais: ajudam a visualizar indicadores relacionados à presença e às horas extras.
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Auditoria por Inteligência Artificial: auxilia na identificação de possíveis irregularidades, incluindo situações relacionadas a horas extras e intervalos.
Essas funcionalidades podem contribuir para uma transição mais organizada, especialmente em empresas que trabalham com múltiplos horários e equipes distribuídas em diferentes turnos.
Entretanto, é importante destacar que a utilização de um sistema de gestão não substitui a necessidade de avaliar as regras trabalhistas e realizar a parametrização adequada.
A tecnologia fornece informações e ferramentas para o controle, enquanto o RH continua responsável pelo planejamento e pela conformidade das jornadas.
O fim da escala 6×1 pode transformar a gestão de pessoas no Brasil?
A redução da jornada representa uma mudança que vai além da quantidade de dias trabalhados.
Durante muito tempo, a organização do trabalho esteve fortemente associada à presença física e ao cumprimento de horários.
Entretanto, as transformações no mercado têm ampliado as discussões sobre produtividade, saúde ocupacional, retenção de profissionais e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A experiência do hotel de Ribeirão Preto mostra que algumas empresas já começaram a repensar essa relação.
Ao antecipar a escala 5×2, o estabelecimento precisou reorganizar sua estrutura, mas relatou benefícios que envolvem tanto os trabalhadores quanto a gestão.
Isso não elimina os desafios enfrentados por empresas de diferentes portes e segmentos.
Para pequenos negócios, por exemplo, a necessidade de ampliar equipes pode representar um impacto financeiro significativo. Já organizações maiores podem enfrentar dificuldades relacionadas à distribuição de turnos e à gestão de diferentes unidades.
Por esse motivo, os resultados da mudança dependerão de fatores como planejamento, capacidade financeira, características do setor e eficiência operacional.
Ainda assim, o novo cenário abre espaço para uma reflexão importante: o sucesso de uma organização não depende apenas da quantidade de horas trabalhadas, mas também da maneira como essas horas são utilizadas.
Conclusão: a escala 5×2 exige planejamento, mas também pode representar uma oportunidade
O fim da escala 6×1 marca uma transformação importante nas relações de trabalho no Brasil.
Com a promulgação da Emenda Constitucional nº 141/2026, empresas precisam se preparar para uma nova realidade, que prevê dois dias de descanso semanal e a redução gradual da jornada para 40 horas.
A experiência do hotel de Ribeirão Preto demonstra que a antecipação dessas mudanças pode ser acompanhada de benefícios para os colaboradores e para a organização.
No entanto, os resultados positivos não acontecem automaticamente.
Eles dependem de planejamento, reorganização das equipes, acompanhamento de indicadores e uma gestão eficiente dos horários.
Para os profissionais de Recursos Humanos, esse momento representa uma oportunidade de fortalecer processos, modernizar ferramentas e adotar decisões mais estratégicas.
Afinal, uma boa gestão de jornada não significa apenas controlar horários, mas encontrar o equilíbrio entre as necessidades da empresa, os direitos dos trabalhadores e a eficiência das operações.
Na Ponto Tecnologia, acreditamos que a tecnologia deve facilitar a rotina das empresas e contribuir para uma gestão de pessoas mais organizada e eficiente.
Com o Secullum RH, sua empresa conta com ferramentas para acompanhar jornadas, gerenciar registros e obter informações importantes para a tomada de decisões.
Sua empresa está preparada para a nova jornada de trabalho? Conheça as soluções da Ponto Tecnologia e descubra como simplificar a gestão de ponto.




