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Vale-alimentação, retenção e trabalho remoto

Vale-alimentação ganha importância na atração e retenção de talentos, e como fica o benefício no trabalho remoto?

Durante muito tempo, benefícios como vale-alimentação e vale-refeição apareceram nas vagas de emprego quase como informações complementares. Salário, cargo e possibilidade de crescimento profissional normalmente ocupavam o centro da proposta.

O cenário está mudando.

Em um contexto no qual alimentação, moradia, transporte e outros custos básicos comprometem uma parcela significativa do orçamento familiar, os benefícios corporativos passaram a exercer um papel muito mais relevante na percepção que o profissional constrói sobre uma empresa.

Entre eles, o vale-alimentação ganhou destaque na atração e retenção de talentos.

Uma pesquisa da Pluxee realizada em fevereiro de 2026 com 1.203 trabalhadores formais brasileiros mostrou que o vale-alimentação foi apontado como o benefício mais importante por 49% dos entrevistados, superando até mesmo o plano de saúde, mencionado por 46%, e o vale-refeição, lembrado por 31%.

O dado chama atenção, mas existe outro ainda mais importante para os departamentos de Recursos Humanos.

Oferecer o benefício não significa necessariamente que ele esteja cumprindo bem sua função.

Segundo o mesmo levantamento, 62% dos trabalhadores afirmaram que o vale-alimentação não é suficiente para cobrir as compras do mês. No caso do vale-refeição, 44% precisam complementar o benefício utilizando recursos do próprio bolso.

Isso muda a discussão.

A pergunta das empresas deixa de ser apenas “oferecemos vale-alimentação?” e passa a ser também:

O benefício que oferecemos realmente faz diferença para quem trabalha conosco?

Vale-alimentação deixou de ser apenas um benefício complementar

Benefícios corporativos fazem parte da chamada remuneração indireta. Mesmo não sendo salário, eles ajudam a definir o valor que um profissional percebe na relação com a empresa.

Na prática, duas empresas podem oferecer remunerações semelhantes e gerar percepções completamente diferentes dependendo do pacote de benefícios.

Um vale-alimentação adequado pode representar:

  • menor comprometimento do salário com despesas básicas;
  • maior previsibilidade do orçamento familiar;
  • possibilidade de realizar compras de alimentos durante todo o mês;
  • percepção de cuidado por parte da empresa;
  • maior satisfação com o pacote de remuneração;
  • diferencial competitivo durante processos seletivos.

O Panorama do RH 2026, elaborado pela Caju a partir da análise de mais de 59 mil empresas e 127 milhões de transações, reforça esse protagonismo.

Segundo o estudo, o auxílio-alimentação aparece entre as categorias mais oferecidas pelas empresas brasileiras. A Caju identificou que aproximadamente 63% das organizações analisadas oferecem essa modalidade de benefício.

Portanto, o benefício está deixando de funcionar simplesmente como diferencial.

Dependendo do setor e do perfil profissional disputado pela empresa, não oferecer alimentação adequada pode significar ficar abaixo do padrão esperado pelo mercado.

O grande problema é que o benefício acaba cedo demais

Existe uma diferença importante entre disponibilizar um benefício e oferecer um valor realmente compatível com seu objetivo.

Os números mostram bem essa distância.

O Panorama do RH 2026 identificou que o saldo destinado exclusivamente à alimentação é utilizado, em média, em aproximadamente 15 dias.

Isso não significa necessariamente que o trabalhador fique sem alimentos depois desse período. Significa que o recurso especificamente disponibilizado pela empresa acaba e o restante passa a ser custeado pelo próprio profissional.

No vale-refeição, a pressão sobre o orçamento também aparece.

Dados apresentados pela Pluxee e repercutidos pelo Mundo RH apontam que, no primeiro semestre de 2026, o benefício conseguia financiar aproximadamente nove dias úteis de refeições. Em 2019, eram aproximadamente 18 dias.

O valor médio do benefício chegou a R$ 583,75, enquanto o preço médio da refeição alcançou R$ 44,69.

Para o RH, essa informação merece atenção.

Quando o benefício termina muito antes do fim do mês, parte de sua capacidade de gerar satisfação também desaparece.

O colaborador continua enxergando o benefício como importante, mas começa a perceber sua insuficiência.

Benefícios podem influenciar a percepção do colaborador sobre a empresa

É importante ter cuidado para não atribuir a retenção de talentos a um único benefício.

Um profissional dificilmente permanece em uma organização exclusivamente por causa do vale-alimentação.

Salário competitivo, boas lideranças, segurança psicológica, reconhecimento, oportunidades de desenvolvimento, clima organizacional e equilíbrio entre vida profissional e pessoal continuam sendo elementos fundamentais.

Mesmo assim, os dados mostram uma relação interessante entre benefícios e satisfação.

Segundo informações da pesquisa da Pluxee apresentadas pelo Mundo RH, trabalhadores sem benefícios apresentaram eNPS de +2, enquanto profissionais que recebiam um conjunto formado por alimentação, refeição e saúde alcançaram +44.

Quando considerado individualmente, o vale-alimentação apresentou NPS de +30.

Os números não permitem afirmar que o vale-alimentação sozinho seja responsável pela permanência dos profissionais.

Eles indicam, porém, que benefícios percebidos como úteis podem contribuir para uma relação mais positiva com a organização.

E existe uma razão bastante simples para isso.

Alimentação não é um benefício utilizado eventualmente.

Ela faz parte da rotina diária.

Presencial, híbrido ou remoto, tenha mais controle sobre jornadas, banco de horas e rotinas do DP.

Vale-alimentação também pode ajudar a proteger o salário

Imagine dois trabalhadores com a mesma remuneração mensal.

Um recebe um benefício de alimentação suficiente para financiar parte relevante das compras da família.

O outro precisa utilizar integralmente seu salário para essa despesa.

Embora a remuneração nominal seja a mesma, a disponibilidade financeira no final do mês pode ser bastante diferente.

Por isso, benefícios ligados às necessidades essenciais costumam possuir uma percepção de valor muito elevada.

O profissional não enxerga apenas o valor depositado no cartão.

Ele percebe quanto daquele dinheiro deixou de sair diretamente do salário.

Essa lógica também explica por que valores aparentemente pequenos podem gerar diferenças importantes na experiência do colaborador quando observados ao longo de 12 meses.

O custo dos alimentos também deveria entrar no planejamento do RH

Existe outro problema comum na gestão de benefícios.

A empresa define determinado valor de vale-alimentação durante a implantação e passa anos repetindo o mesmo crédito mensal.

Enquanto isso, os preços mudam.

Quando o reajuste do benefício não acompanha minimamente a realidade do trabalhador, seu poder de compra é gradualmente reduzido.

A própria pesquisa da Pluxee mostra essa percepção: 62% dos profissionais entrevistados consideram insuficiente o valor recebido para alimentação.

Por isso, o planejamento de benefícios pode considerar critérios como:

  • preço médio da alimentação na região;
  • custo da cesta básica;
  • inflação dos alimentos;
  • quantidade média de dias úteis;
  • perfil dos colaboradores;
  • valores praticados por empresas concorrentes;
  • pesquisas de clima e satisfação;
  • percentual de trabalhadores que precisam complementar o benefício;
  • convenções e acordos coletivos aplicáveis.

A ideia não é necessariamente reajustar valores todos os meses.

O importante é evitar que o benefício seja esquecido durante anos.

E quem trabalha em home office, tem direito ao vale-alimentação?

Essa é uma dúvida cada vez mais relevante.

Se o colaborador permanece trabalhando oito horas por dia em casa, continua realizando intervalos e naturalmente continua precisando se alimentar, faria sentido retirar o benefício simplesmente porque ele deixou de comparecer fisicamente à empresa?

Do ponto de vista da gestão de pessoas, a discussão merece bastante atenção.

Do ponto de vista jurídico, entretanto, precisamos separar aquilo que parece razoável daquilo que é efetivamente obrigatório.

Vale-alimentação é obrigatório pela CLT?

De forma geral, a CLT não estabelece que toda empresa brasileira seja obrigada a fornecer vale-alimentação ou vale-refeição aos seus empregados.

O benefício pode, entretanto, tornar-se obrigatório em determinadas situações, principalmente quando estiver previsto em:

  • Convenção Coletiva de Trabalho;
  • Acordo Coletivo de Trabalho;
  • contrato de trabalho;
  • regras específicas da categoria;
  • política interna ou condição já incorporada à relação de trabalho, dependendo das circunstâncias.

A própria Pluxee destaca que VA e VR não são benefícios universalmente obrigatórios pela CLT e que a obrigação pode decorrer das normas coletivas ou das condições estabelecidas pela empresa.

Por isso, antes de conceder, alterar ou retirar o benefício, o RH precisa analisar a realidade específica da categoria profissional.

E no trabalho remoto, existe obrigação?

Também não existe uma regra geral determinando que todo trabalhador remoto obrigatoriamente receba vale-alimentação apenas pelo fato de trabalhar em home office.

Ao mesmo tempo, migrar para o trabalho remoto também não significa que o benefício possa automaticamente ser retirado.

A CLT estabelece que não há distinção entre o trabalho realizado no estabelecimento da empresa, no domicílio ou a distância quando estão presentes os requisitos da relação de emprego.

Além disso, a aplicação de benefícios precisa observar o contrato e principalmente a norma coletiva da categoria.

Há convenções coletivas atualmente registradas no sistema Mediador do Ministério do Trabalho que deixam isso muito claro.

Uma delas determina expressamente que o auxílio-refeição ou alimentação será pago independentemente de o trabalho ocorrer nas dependências da empresa ou remotamente em home office ou teletrabalho.

Outra prevê que profissionais em teletrabalho recebam ao menos 50% do vale-alimentação ou vale-refeição, mantendo também outros benefícios sociais previstos na convenção.

Existem ainda instrumentos coletivos com regras diferentes para trabalhadores presenciais, híbridos e remotos.

Isso mostra por que não existe uma resposta única.

A empresa precisa verificar a Convenção Coletiva ou o Acordo Coletivo da categoria antes de definir como será o benefício durante o trabalho remoto.

“Mas trabalhando em casa ele também precisa comer”

Sim.

E esse é justamente um ponto interessante quando saímos da obrigação jurídica e entramos na estratégia de gestão de pessoas.

Uma pessoa trabalhando remotamente continua cumprindo sua jornada, realizando suas atividades e tendo necessidades básicas ao longo do dia.

A diferença é apenas onde o trabalho acontece.

Por isso, mesmo quando não existe obrigação expressa, a manutenção do vale-alimentação pode fazer parte de uma política de benefícios coerente com o modelo de trabalho adotado pela empresa.

Também existe uma diferença conceitual importante entre alguns benefícios.

O vale-transporte, por exemplo, está diretamente relacionado ao deslocamento do trabalhador entre residência e trabalho. Se o deslocamento deixa de acontecer em determinados dias, a lógica do benefício naturalmente muda.

A alimentação não desaparece no home office.

Ela apenas acontece em outro lugar.

Por essa razão, diversas empresas passaram a estruturar benefícios para que possam ser utilizados tanto por equipes presenciais quanto por profissionais remotos e híbridos.

Vale-refeição e vale-alimentação são a mesma coisa?

Embora tenham objetivos semelhantes, eles normalmente possuem formas de utilização diferentes.

O vale-refeição é tradicionalmente utilizado para o pagamento de refeições prontas em restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos semelhantes.

O vale-alimentação costuma ser direcionado à compra de alimentos em supermercados, mercados, açougues, padarias e estabelecimentos do gênero.

Para trabalhadores remotos, o vale-alimentação pode ganhar ainda mais relevância justamente porque parte das refeições passa a ser preparada na própria residência.

Já sistemas de benefícios mais flexíveis permitem às empresas estruturar diferentes categorias conforme sua política e as regras aplicáveis.

Novas regras do vale-alimentação também merecem atenção

O mercado de benefícios passou recentemente por mudanças regulatórias.

O Decreto nº 12.712/2025 estabeleceu novas regras para vale-alimentação e vale-refeição, e o Ministério do Trabalho e Emprego esclareceu em julho de 2026 que suas disposições se aplicam às empresas que concedem esses benefícios, estejam ou não inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador, o PAT.

Entre os objetivos da regulamentação está preservar a finalidade do benefício, ou seja, garantir que os recursos sejam efetivamente utilizados para alimentação.

Para o RH e o Departamento Pessoal, isso reforça a necessidade de acompanhar não apenas valores, mas também mudanças na legislação e nas regras de utilização.

Benefícios e gestão de jornada precisam conversar

O trabalho remoto também trouxe outra mudança importante.

Ter pessoas trabalhando fora da empresa não elimina a necessidade de gerir corretamente a jornada quando o colaborador está sujeito ao controle de horário.

Entradas, saídas, intervalos, banco de horas, horas extras, faltas e compensações continuam fazendo parte da rotina do Departamento Pessoal.

Por isso, benefícios e jornada não deveriam ser administrados como processos completamente isolados.

Imagine um benefício definido de acordo com dias efetivamente trabalhados.

Se o RH não possui informações confiáveis sobre jornada, afastamentos e ausências, aumenta o risco de divergências também na administração dos benefícios.

Sistemas de gestão de ponto ajudam a centralizar essas informações e trazem maior precisão ao fechamento mensal.

Com soluções como o Secullum Ponto Web, por exemplo, empresas conseguem administrar jornadas presenciais, híbridas e remotas, acompanhar registros, horas extras, banco de horas, justificativas e outras informações relevantes para o Departamento Pessoal.

A tecnologia não decide qual benefício cada colaborador deverá receber.

Ela fornece informações mais confiáveis para que o RH aplique corretamente as regras definidas pela empresa e pelas normas coletivas.

Como saber se o vale-alimentação oferecido pela empresa é competitivo?

Não existe um único valor ideal para todas as organizações.

Empresas podem começar analisando cinco dimensões.

1. Mercado

Pesquise o que organizações do mesmo setor e da mesma região estão oferecendo.

Benefícios também fazem parte da disputa por profissionais.

2. Poder de compra

Avalie quanto o valor efetivamente representa nas compras mensais.

Um benefício de R$ 500 pode ter impactos diferentes dependendo da cidade onde o profissional mora.

3. Percepção dos colaboradores

Pergunte.

Pesquisas de clima, formulários internos e conversas estruturadas podem revelar se o benefício é considerado adequado.

4. Duração

Entenda em quanto tempo o saldo normalmente é utilizado.

Se a maior parte dos colaboradores precisa complementar o benefício ainda na primeira metade do mês, existe um indicador importante para avaliação.

5. Normas coletivas

Antes de qualquer decisão, confira Convenções Coletivas e Acordos Coletivos.

O benefício pode possuir valor mínimo, regra de reajuste ou condições específicas de concessão.

O RH precisa olhar além da quantidade de benefícios

Um pacote com dez benefícios pouco utilizados não necessariamente será percebido como melhor do que um pacote com cinco benefícios realmente relevantes.

Esse talvez seja um dos principais aprendizados para os RHs.

O objetivo não deveria ser apenas aumentar a quantidade de itens oferecidos.

Deveria ser aumentar o valor percebido.

E alimentação aparece justamente nesse ponto.

É um benefício extremamente concreto.

O colaborador consegue perceber facilmente quanto recebe, onde pode utilizar e quanto tempo aquele valor dura.

Se o benefício funciona bem, a percepção também aparece rapidamente.

Se funciona mal, a insatisfação também.

Vale-alimentação pode ser uma ferramenta de retenção?

Pode contribuir, mas não deve ser tratado isoladamente.

Nenhuma empresa conseguirá compensar liderança ruim, salários incompatíveis ou ambiente tóxico oferecendo um cartão alimentação maior.

Retenção de talentos é resultado de uma combinação de fatores.

O que os dados atuais mostram é que alimentação merece estar entre esses fatores.

Quando quase metade dos trabalhadores coloca o VA entre suas maiores prioridades e mais de 60% dizem que o valor não chega ao final do mês, existe uma oportunidade clara para as empresas repensarem sua estratégia.

Em vez de simplesmente copiar o pacote de benefícios praticado pelo mercado, o RH pode perguntar:

Quais benefícios realmente melhoram a vida das pessoas que trabalham aqui?

Essa pergunta provavelmente produzirá respostas muito mais valiosas.

Para concluir

A disputa por talentos não acontece apenas na linha do salário.

Cada vez mais, os profissionais observam o conjunto da experiência oferecida pela empresa, e benefícios ligados às necessidades básicas possuem enorme peso nessa percepção.

O vale-alimentação é um bom exemplo.

Ele pode ajudar a proteger parte da renda do trabalhador, contribuir com a organização financeira familiar e tornar o pacote de remuneração mais competitivo.

Ao mesmo tempo, os dados mostram um desafio importante: não basta conceder o benefício se seu valor perder rapidamente o poder de compra.

Para trabalhadores remotos, a discussão exige ainda mais cuidado.

Não existe uma obrigação geral na CLT determinando vale-alimentação para todo profissional em home office. Porém, o trabalho remoto também não autoriza automaticamente a retirada do benefício.

Convenções e acordos coletivos, contratos, políticas internas e regras específicas precisam ser avaliados antes de qualquer mudança.

Para empresas, portanto, a melhor estratégia combina três elementos: legislação, dados e escuta dos colaboradores.

E, quando o assunto envolve diferentes jornadas, equipes presenciais, híbridas ou remotas, contar com informações confiáveis sobre o trabalho realizado também é fundamental.

A Ponto Tecnologia atua com soluções para gestão de jornada, controle de ponto e automação dos processos do Departamento Pessoal, ajudando empresas a transformar dados de jornada em uma gestão mais organizada, segura e eficiente.

Porque benefícios podem ajudar a atrair pessoas.

Mas são processos bem estruturados, boas experiências e uma gestão que entende a realidade dos colaboradores que ajudam a construir relações de trabalho capazes de durar.

Centralize informações de jornada e reduza retrabalhos no fechamento do ponto.

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